“Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei.” — Jeremias 1:5
“O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque eis que o reino de Deus está dentro de vós.” — Lucas 17:20-21
O conceito de consciência tem sido abordado de múltiplas formas ao longo da história, mas na interseção entre a física quântica e as tradições espirituais, ela deixa de ser apenas uma função da cognição e torna-se o próprio princípio unificador da realidade. No pensamento de Amit Goswami, como exposto em O Universo Autoconsciente, a consciência é a essência primordial do ser, o campo transcendental de onde tudo emana, anterior ao espaço, ao tempo e à matéria.
Goswami argumenta que não é a matéria que cria a mente, mas a consciência que colapsa a função de onda da potencialidade em manifestação. O mundo, então, não é uma realidade objetiva separada de nós, mas uma extensão da própria consciência, tal como os profetas bíblicos pressentiram em seus momentos de revelação.
Quando Isaías declara: “O Senhor dos Exércitos será exaltado em juízo, e Deus, o Santo, será santificado em justiça”(Isaías 5:16), o profeta não fala de um tribunal físico, mas de uma ordem profunda da realidade que se desvela àqueles que purificam o olhar. O juízo é uma forma de ver, uma luz que revela a sombra e conduz à transformação.
A consciência, nesse sentido, é a testemunha que observa e dá existência. Conforme nos revela O Enigma Quântico de Rosenblum e Kuttner, a própria realidade parece se curvar à presença do observador. Não há partícula sem observação. Não há mundo sem mente. A consciência não é um produto do cérebro, mas aquilo que o cérebro expressa, assim como o Verbo se fez carne, segundo João (1:14).


Jesus, o Cristo, compreendia essa realidade de forma plena. Quando afirma que “Eu e o Pai somos um” (João 10:30), ele dissolve a ilusão da separação entre criatura e criador. Em suas parábolas, em seus gestos, ele ensinava que o verdadeiro milagre era ver com os olhos espirituais, com a consciência liberta do véu do ego. Os milagres eram colapsos quânticos, não da física, mas da percepção: a água que se transforma em vinho, o cego que volta a ver, o tempo que se suspende, era o Próprio Criador em ascendência a consciência quântica, a consciência primordial no estado de Reino.
Não é à toa que os evangelhos falam repetidamente em ouvidos para ouvir e olhos para ver. A consciência desperta é o estado transformado através do Verbo. E nesse ponto, ciência e fé se entrelaçam, pois ambos clamam por uma atenção profunda, uma abertura radical ao mistério.
Assim, a consciência torna-se o fulcro a partir do qual toda realidade é recriada. Os profetas foram visionários quânticos em sua própria linguagem; foram aqueles que acessaram estados ampliados de percepção, capazes de ver o mundo não como ele era, mas como ele poderia ser — ou como ele sempre foi, por detrás do véu.
Eis, portanto, a premissa deste capítulo: que a consciência (em Jesus) é a chave hermenêutica não apenas da física quântica, mas também do Apocalipse. A revelação final não será feita com sinais celestes, mas com um olhar purificado. Como dizia o Mestre: “Se teus olhos forem bons, todo o teu corpo será cheio de luz.” (Mateus 6:22)
Autor: Paulo Fernandes


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